Ontem, dia 16.05, tivemos a satisfação de receber aqui em nossa cidade o estilista Mario Queiroz, digno de admiração e respeito. O mesmo se fez presente aqui em nossa capital para a palestra de abertura do curso de Pós – Graduação em Produção de Moda e Styling do Unipê e também fará parte do seleto quadro de professores que lecionarão no curso mencionado. Poderia deixar para as considerações finais a parabenização pela busca de melhorias na formação de profissionais da área de moda aqui na Paraíba, todavia, entendi que tamanha dedicação e esforço dos responsáveis pelo curso, mérito à professora Gabriela Maroja, por esse feito, deve ser mencionado desde já.

Mario Queiroz
Começo por um assunto interessante, que foi uma das pautas mencionadas por Mario em sua palestra. Aos presentes ficou bem claro que a moda vai além de tendências, sim, essas tendências que geram o “look do dia” de fotos tiradas em um elevador por “blogueiras” acéfalas sem conteúdo e que não sabem diferenciar o que é malha ou tecido.
Então das “queridas” que são bancadas por lojistas que cedem suas peças gratuitamente para a “menininha do momento” em troca de um “publicidade” fajuta, forçada e deprimente, lembra -nos uma pergunta que o Mario Queiroz mencionou, que essas pessoas sem conteúdo, tirando a roupa bancada que elas vestem, sobrará o que? Motivo de reflexão, para alguns, não acham?

O Designer Mario Queiroz e a Designer Fabíola Beltrão
A notícia que chega à massa, de forma errada, pelas acéfalas citadas anteriormente, aos leigos na área de moda, que acham que moda é apenas formada por tendência, quando não, é muito mais que isso, propaga -se com a velocidade da luz gerando efeitos catastróficos, Karma carregado por todos profissionais envolvidos no ramo, há tempos, mostra o quanto essa facilidade em dissipação de uma informação pode custar caro para inúmeros profissionais que passaram anos estudando para educar-se e entender um universo complexo e exigente que é o ramo da moda, universo esse, que as figurinhas caricatas e montadas insistem em recrutar e formar, com sua falta de informação e estupidez, um exercito de desinformados que se vestem exatamente iguais umas as outras, não expressando individualidade, já que a primeira lição que aprendemos, como Designers de Moda, é que a roupa que você veste é sua carteira de identidade para o mundo, sua personalidade e principalmente estilo de vida, por tanto, reflitam, será que vocês tem “bolso” para acompanhar um closet cheio de mascaras e irrealidades? Um pouco de discernimento e leitura não fazem mal a ninguém, por tanto, informem -se antes de fazer parte da “massa” que insiste em iludir-se e pensar errado.
Em conversa com amigos, que não são da área de moda, procuro sempre instrui-los nesse ponto e passar que moda é historia, arte, cinema, música, filosofia, sociologia, estilo de vida e etc e não apenas roupas, assim, faço minha parte. Você que leu essa matéria faça a sua.

Mario Queiroz e a pop -up store montada com suas peças.
Tivemos também o privilégio de ver e tocar as obras de arte do estilista Mario Queiroz, menciono obras de arte pelo fato de que é um produto que criamos e sempre encarei, particularmente, que as peças que desenho e executo para minhas coleções são frutos das sementinhas plantadas que levam no minimo 4 meses, do inicio do processo de criação até chegar ao consumidor, por tanto, são verdadeiras e legitimas obras de arte e necessita -se de uma educação de moda no Brasil para não banalização da moda, já que sabemos que muitos preferem comprar peças de marca internacional e esquecem que aqui em nosso país temos ótimo profissionais que dão duro para conseguirem disputar com grandes conglomerados de moda que aqui chegam com investimento pesado em publicidade. E ainda sobre as peças trazidas por Queiroz, pudemos contemplar a riqueza de detalhes, desde o acabamento até o tipo de estamparia e tecidos utilizados e, é claro, não pude deixar de conferir de perto, tocar e sentir. Sensação indescritível para um Designer de Moda.

Desfile
E como plus, pudemos assistir o vídeo de sua coleção que aconteceu na última edição do Dragão Fashion em Fortaleza. Dividida em 3 mini-coleções, formada a primeira parte por alfaiataria, segunda parte pelo beach wear (moda praia) e a última parte por modelos vestidos de piratas, com a inspiração no “Dragão do mar”.

Centro de arte e cultura de Fortaleza – Dragão do Mar
Sem mais delongas e sombra de dúvidas, foi um momento de reflexão e troca de conhecimentos que adorei participar, e aguardo os próximos eventos ansiosamente.
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